Enfim, no meu dever de recém desempregado, me senti na obrigação de manter o resquício de utilidade. Por isso eu escrevo, pra ter razão.
Numa postagem realmente curta, eu queria comentar algo que eu andei reparando nesses meses paulistAnos: a espera. Perdoem minha ignorância, mas ao que me parece os ônibus não tem um horário exatamente certo, o jeito é ir pro ponto e esperar. O ônibus, sempre passa, isso é fato.
Ao esperar o ônibus, não há nada a fazer senão…esperar. Não adianta, nada do que você faça, o ajudará a vir mais rápido. No entanto, a população local insiste em ficar olhando insistentemente no horizonte do caminho até que ele apareça. Alguns, mais exaltados, esperam à beira da calçada, ou mesmo no meio da rua (sim, eles querem parar o ônibus na marra, tal qual os chineses na praça da paz, acredito eu). O olhar, insípido, inodoro e incolor, só vê a pressa e o pensamento, tornando o momento tão banal quanto o motivo da pressa.
Se não tem nada pra dizer, escute. Se não há nada a fazer, aprecie. Depois dizem que tudo em São Paulo é rápido demais…
Som inspirador: “Fala”, Secos & Molhados, momento brilhante de Ney Matogrosso e do arranjador que não tenho idéia de quem seja no momento, mas que deve ser uma pessoa muito legal e sensível.
Gabriel Santos Garbulho