Posts de Março, 2007

Brilhe, diamante louco!

Março 28, 2007

Finalmente eu me assumo como um homem 2.0. Tenho um blog (atualizado!), uma página com meus sons no My Space, no Trama Virtual, um portifólio virtual e um link para o meu álbum de fotos. Em breve deixo de existir. “Dentro de algum tempo/ eu paro de tocar/e espero o apocalipse/tentando te encontrar”, Arnaldo Baptista, perfeito. Mas acho que estou fazendo o caminho contrário desta frase. Depois do apocalipse, esperei te encontrar. Entediado, voltei a tocar. Voltei pro palco. O virtual serve tão e somente pra sustentar a realidade, dar subsídio. E anda cumprindo bem sua função.

Eu sou erroneamente feliz. Horrorosamente feliz. Aterrorizadoramente feliz. Estupidamente feliz. Enganadoramente feliz. Arrogantemente feliz. Atropelantemente feliz. Masoquistamente feliz. Feliz, mesmo tendo todo os erros do mundo no espírito.

A day in the life

Março 27, 2007

Rapaiz, tem dias que realmente não dá pra segurar.  Você tá lá, tranqüilo, sem fazer mal a ninguém nem a nada, vivendo sua vida em paz, mas o cara capricha na tijolada (psicológica, não física, graças a Deus) . Aí eu penso no Kafka: o que fazer diante da violência (psicológica) gratuita? Ser racional, traçar outro plano? Falar pra você, ó, qui entre amigos, é foda (a única palavra que supre foneticamente tal sentimento).

De tudo se tira um aprendizado, e o que eu tirei é que já deu de aprender. Viver a vida em altos e baixos é pra Bovespa, não pra mim.

É tudo uma questão simples: nunca confunda carinho e desejo. Eu me sinto usado (o povo que ouve meu chororô num guenta mais essa frase). Até então isso era previlégio da mulher, o lance do mundo machista e tudo mais. Mas ela descobriu a arma da virada. Não é mais o sexo que controla (não que ele ainda não funcione bem em alguns casos), o homem é um animal sentimental. Pra pegá (como se diz no vulgo), a gente se arranja. Vai no xaveco, na chegada, no charme, na piada, alguma coisa dá certo.

Mas daí um dia você acorda e sente que falta sal na sua comida, aquela balada rolô meio brocha, e o pior, seu playlist só tem Ângela Ro Ro pra baixo (tá bom, esse é por minha conta, pessoal). É a derrota. Rola um desejo de alguém que se preocupe em te surpreender e você chega em casa e tem a surpresa de ter engordado, a barba crescido, sei lá. E o pior, ninguém vai reclamar disso, se sentir incomodado. Março passa arrastado como sempre, a viagem do ônibus é cada vez mais longa, sua genialidade anda hibernando e ainda por cima, você fica doente e não tem ninguém pra fazê um chá de boldo. Eu falo de amor, e você, vive de quê, ser anonimo leitor?

Ó, já que o papo tá emo, tó um playlist que seguramente vai te fazer chorar em alguma parte:

1 – Wanderléa – Poema para Lea (c/ Egberto Gismonti)

2 – Ângela Ro Ro – Gota de Sangue

3 – Milton Nascimento e Lô Borges – Clube da Esquina

4 – Ângela Ro Ro – Escândalo!

5 – Elis & Tom – Inútil Paisagem

6 – Beach Boys – God Only Knows

7 – Caetano Veloso – Não me arrependo

8 – Sam & Dave – When Something is wrong with my baby

9 – Lulu Santos – Din Don

10 – Kid Abelha – Mudança de Comportamento (c/ Edgar Escandurra)

11 – Prince – Slow Love (muito boa essa música)

12 – Radiohead – No Surprises

13 – The Beatles – A Day in the life

14 – Zimbo Trio – Pot Pourri – Teia de Renda, Coração de Estudante

15 – Estrella Morente y Alberto Iglesias – Volver

16 – Secos e Molhados – Fala

17 – New Order – Bizarre Love Triangle

18 – Jerry Butler – Only the strong survive (essa é pra se acabar)

19 – Gwen Stephani – Cool (meio deslocada aqui né? mas a música é bacaninha)

 Valeu, hoje são 19 dicas de música, posso dormir em paz agora.

Tão perto do ouro…

Março 22, 2007

Eu vivo num mundo que está acabando. Seus moradores já planejam a fuga há mais de 50 anos. “Planet Earth is blue and there is nothing i can do”. Enquanto a terra segue seu curso incoveniente, eu passo horas pensando em coisas para fazer as próximas horas renderem mais, indo de um lugar necessário à outro. “São Paulo é cinza e não há nada que eu possa fazer”, senão pensar e cantar. Agarrar idéias brilhantes esparsas, que, logo depois se descobre, tem o brilho de outras gerações. Tudo já foi inventado, ô mundo saturado. Aí você para e fala pra eu largar a mão de ser pessimista, mas isso não é verdade. Leia o post anterior, eu sou amor da cabeça aos pés, como diria a música breguíssississima nova da Ana Carolina. È que ser pobre e não ser genial morando em São Paulo é realmente brochante. Tão perto do ouro, tão longe do poder.

            Aí vem uma senhora que se senta no banco preferencial cinza do metrô e diz que eu penso nisso porque eu sou mal amado (calma aí pessoal, ela representa a minha consciência, aliás, ela é brilhante pra representar a consciência). Não, eu sou consciente! Solitariamente consciente. Tá bom, pessoal, vocês venceram.

            Minha vida amorosa é intempestuosa, e como eu quero que o meu blog tenha uma função mais útil do que fuxicar sobre a minha vida, aconselho-lhes: se alguém oferecer pra vocês amor, que seja pobre e de sapê, vai. De que adianta a inteligência se ela é usada pra manter as pessoas longe do que as domina? Vai amar, amor não tem hierarquia.

            Gostar de alguém faz eu me sentir menos anêmico, mais rosado. Posso dizer que vivi coisas legais, mas me frustra profundamente saber que fugi de todos estes relacionamentos. É uma autoproteção rebelde, desmedida. Descobri que eu sou inseguro, e que por isso eu amo demais (e que por isso também, sou irmão da minha irmã, piadinha êr, love you honey!).

            Aí me vem outra verdade incoveniente (utilizando Al Gore): por causa dessa mesma insegurança, tanta gente se mete em relacionamentos de merda só pra sentir que tem um porto seguro. Disso eu me vanglorio, não preciso de ninguém pra confortar meus problemas. Mas até quando eu vou fingir que sou forte assim? Sei não. Mas aí toda essa filosofia sentimental vem a calhar com o momento do planeta, que deve ser lembrado: o amor é a saída, e Marvin Gaye já dizia isso em 1970. “Let´s save the babes!”

 

Inclusive deixo essa dica musical pra vocês, me arrepia todo: “What´s going on?”, esse disco do Marvin Gaye é uma piração em si mesmo, e reflete o peso na consciência de uma geração que cresceu sobre a tutela do preconceito e do desenvolvimento desgastável. Na música 4, se eu não me engano, Gaye faz quase uma prece. “Save the babes!”, parece que tão matando as crianças na frente dele. E aqueles bebês que ele pedia salvação, são os pais de hoje, educadores, que preparam crianças que realmente pedirão pela salvação de Marvin. God Bless you All.