Clareia o sol. Vai preencher de luz a invasão do ambiente. Agressiva, rebelde, sem precedentes. No canto da cama, eu. No canto de luz que rebate, arde, reverbera, frequencía. E esta onda corta o tempo e o espaço malfadado, corre a vida como se já não houvesse seqüência, sem saber o fim.
A gente nunca sabe o fim. Se soubesse, não o esperaria. Ou talvez seja uma visão demasiadamente limitada daquele que sempre viveu sobre a lógica da pedra.
A rocha quebra na praia, espalha minérios na espuma da criação. Minha tristeza quebra em um sino, que dá vida à assombração. Assombrado, assombroso.
Sombra, sono. Quebrando na ladeira, no balanço da matéria mecânica. O negativo do sol, sou eu, o contrário da extensão, que rasteja e esconde a beleza sincera do dia. Espalha na morosidade, que vem de uma insatisfação já esquecida.
Eu nem me lembro a última vez que sonhei, talvez porque o sol fosse forte demais. A mente neblina no tédio de esperar gerações de prédios, de invasões e de órgãos públicos e religiosos passarem pela janela. São aqueles que controlam o circo dos algoritmos. Controlam o controle, e sabem como construí-lo. Mantém a imensa massa criativa na fila de espera afetiva. Constrói o traçado de uma vida no esquadro.
Mas sonhos não envelhecem nem expiram. Ainda exalo o ar das independentes gerações, que não viverão sobre a égide desta imensa e ensolarada repartição pública. A cidade de São Paulo.