Eu completei um quarto da minha vida e isso não pode se esvanascer como as bolachas que a gente come e joga fora o pacote ou as tantas coisas banais que às vezes interpretamos também.Todo aniversário meu coração explode em todos os caminhos, é como uma versão de mim que sai da fábrica (cada vez mais programada?, cada vez mais consciente?, quem sabe?) em direção à um novo ciclo anual em que a gente se desconhece pra reconhecer.Este ano passei a primeira parte em um hospital, com pessoas captando minhas vibrações passivas, meus sentimentos áureos que se libertam pela noite. Será que instauraram em mim uma nova alma? Sou o que sou e não serei outra hora. Continua incólume, como naquele dia de férias em que eu só queria o verde e o amor, após assistir Closer e escrever esta música. Saiu quase arrancada de mim de tão rápida e direta, cheia de conforto e potência. Sonhava em construir minha própria realidade através de um musical. E sempre foi assim, sei muito bem contar minha própria história pros outros, eu sou meu mito (e já escrevi isso antes aqui).Esse foi o ano em que meu mito caiu. Rolou a ribanceira, viveu anarquicamente, foi ácido. E isso pra mim mesmo é como ver um pai perder a honra: meu próprio heroísmo desfacelado.E isso é um perigo, seja para uma pessoa, seja para um país: O mito sustenta a verdade oculta de quem é feliz.Mas esse cara, esse que tem o humor rápido, que ama o mundo e sobretudo a calma, esse cara deu a mão pro outro, que vivia a sua vida assistindo o teatro. E hoje eu sou isso, parece que tudo faz o maior sentido (embora esteja ainda na maior bagunça).A partir de agora quero ir, um dia não é pra ser vivido duas vezes e qualidade de vida é pra ontem. Deixo aqui, talvez pra mim mesmo, talvez para meus caros amigos e filhos do futuro, o atestado de que eu não quero ignorar nunca as coisas que acontecem, independente do que for. Manter os olhos lúcidos sempre. Eu sou de São Carlos, e um dia eu voltarei para lá. Meus ancestrais viveram no Tatuapé, e isso pulsa dentro de mim. Eu já encontrei um grande amor, e preciso aprender a conviver com isso. Amar é o meu vício, e nada cura para sempre. Obrigado, é hora da Ave Maria.