A mente mente. Diz que faz mas desfaz logo a frente, e o desembaraço fica pra trás. Eu olho o pensamento como o ego que media esta relação, e lá está. Um monte de nada que é alguma coisa, alguma coisa do monte que é nada.
É aquela parte do objeto que você vê mas não o identifica, ou aquele monte de coisas sem contexto, tipo a casa da Hebe. Bom… se bem que a casa da Hebe tem contexto, seria ela própria, enquanto entidade.
Aquele aquilo, que ficou na vontade, uma grande idéia…que perdeu o ideal. Não me preocupo em entender, só não quero me perder de quem eu era no começo. Talvez pra saber quando é o fim, se é que existe final.
Ontem assisti um pedaço de Waking Life, na passagem a moça dizia que as palavras são inertes (tradução esboçal de Gabriel Garbulho), um código que nunca expressará por si só a profundidade de um sentimento sobre um algo ou uma ação. Sendo bem claro, se você sentiu dor, só você entende sua dor, pois ela carrega o seu contexto e a sua história, onde aprendeu o que é dor. Quando for passar a mensagem para outra pessoa, a dor dessa pessoa será embutida como conceito para entender a sua. Por isso que quando a gente ouve um conselho sobre um sentimento, só estamos relembrando o que a gente já sabe.
O que você sabe sobre mim? Já viu o meu vídeo, leu o meu blog, viu o meu show, foi meu amigo? E toda essa informação foi travestida de você para ser resolvida em um “eu sei como é que é”. A identificação é uma coisa curiosa, pois partindo desse princípio somos rochas esculpidas por nosso aprendizado. A alma em uma noz, que grita e ecoa a própria voz.
A gente nunca sabe nada sobre ninguém, e o que a gente sabe nunca pára pra nos explicar. Reitero Clarisse Lispector:
“Não se preocupe em entender, viver ultrapassa todo o entendimento”
Talvez entender seja um processo para a solidão. Você entende e não quer mais explorar: a rocha é mais autosuficiente ainda. A noz está cada vez mais enraigada, e sufoca a semente da criação que mora dentro de sua escuridão.
O grande processo para se recriar é nunca saber por completo. Saber demais é um perigo, pois saber é intransitivo. E a vida é permanente transição. Como a mente que continua a mentir.
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