Domingo a noite

A confiança anda tão vaga que eu nem consigo escrever a palavra solidão. É difícil admitir, como se tivesse acontecido uma grave acidente de percurso e a vida tivesse enguiçado em um momento que não finaliza nem começa. O instante esquecível em que cá estava, enrolado no cobertor, com a tv ligada, esperando algo acontecer. Ninguém liga, o grito é rouco, a geladeira murmura, o relógio trabalha.
Estou vivendo este exílio forçado do mundo: há algo que ele quer me sublinhar com este momento. Ok, sempre há como se aprender com a situação, mas o telefone bem que podia tocar, não vou esconder essa ansiedade.
E todos estão resolvendo seus intrínsecos problemas e o meu talvez seja cuidar do meu, fator do qual abstenho com pudor e sem moral, doente. Me escondo do problema e as pessoas se escondem de mim, simples assim.
E quem comanda essa ciranda? Há algo encravado em mim tão profundamente que já faz parte. Um erro que se transfigura em linguagem. Espero que o meu violão me diga mais coisas que este texto em desespero.

E espero que eu possa dizer muito mais ois, e fugir dessa roda viva com toda minha face plena, vivendo o tempo em seu próprio acontecer. Vamos manter os olhos lúcidos!

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